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Por Jennifer Viegas
Artigos publicados nos últimos anos têm relacionado gatos a todo tipo
de coisa, de câncer a psicose, mas novos estudos sugerem que os bichanos
são benéficos para a saúde humana, e podem até reduzir o risco de
câncer e outras doenças.
Depoimentos publicados na revista
Biology Letters, por exemplo, contrariam a crença de que gatos provocam
câncer cerebral em seres humanos.
Marion Vittecoq e seus
colegas do Centro de Pesquisas Tour du Valat concluíram que os gatos não
devem ser responsabilizados pelo câncer humano. Na verdade, os estudos
mostram exatamente o oposto.
A pesquisadora afirmou ao
Discovery Notícias que “estudos sobre a ligação entre o câncer e o
contato com gatos ou não revelaram nenhuma associação, ou demonstraram
um risco reduzido de câncer nos donos”.
Como exemplo, Vittecoq e
o co-autor Frédéric Thomas citam um estudo do Instituto Nacional de
Saúde realizado por GJ Tranah. Ele descobriu que os donos de cães e
gatos apresentavam risco reduzido de contrair o linfoma não-Hodgkin.
Quanto maior a duração do contato com o animal de estimação, menor a
chance de sofrer deste tipo de câncer.
As razões pelas quais
cães e gatos beneficiam a saúde humana ainda são um mistério, mas outro
estudo recente fornece algumas pistas intrigantes. Ele constatou que
crianças que têm animais de estimação em casa sofrem de menos doenças do
trato respiratório.
“Nossos resultados apoiam a teoria de que,
durante o primeiro ano de vida, os contatos com animais são
importantes, possivelmente levando a uma melhor resistência a doenças
infecciosas respiratórias durante a infância”, escreveu Eija Bergroth na
revista Pediatrics.
Inúmeros outros estudos demonstram os
benefícios que ter um animal de estimação traz à saúde mental, sobretudo
para estudantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. Em tais casos,
os animais podem proporcionar grande consolo e companheirismo.
Os gatos ganharam má reputação ao longo dos anos, mas por razões
diferentes. Uma delas se baseia em superstições antigas e risíveis, como
“gatos pretos dão azar”. A outra, no entanto, refere-se a uma discussão
científica sobre a ligação entre o câncer e o parasita protozoário
Toxoplasma gondii.
Em uma pesquisa anterior, Vittecoq e Thomas
determinaram que há uma correlação positiva entre o parasita e a
incidência de câncer no cérebro. Os felinos podem hospedar o parasita, o
que gerou o frenesi na mídia – “gatos fazem mal à saúde” – ao longo dos
últimos meses.
Mas os próprios autores indicam que os gatos
foram erroneamente difamados, já que outros estudos defendem os
benefícios que trazem. Ademais, a ligação entre o parasita e o câncer
ainda não foi firmemente estabelecida.
Thomas explicou que “os
seres humanos geralmente se infectam pelo consumo de carne mal cozida de
ovelhas, que contém as fases assexuadas do T. gondii” ou através de
contato com solo contaminado (nada que uma boa higiene não resolva).
Outros estudos mostram que a ingestão do parasita via água contaminada,
frutas, legumes e leite de cabra cru podem ocasionar a infecção. As vias
de transmissão são similares à da bactéria E.coli.
Victoria
Benson, da Unidade de Epidemiologia da Universidade de Oxford, também
abordou a questão na última edição da revista Biology Letters.
Benson e sua equipe estão realizando o chamado de “Million Women Study”
(Estudo de Um Milhão de Mulheres), uma enorme compilação de dados sobre
mulheres de meia-idade no Reino Unido. Os cientistas não encontraram
nenhuma ligação entre a incidência de câncer no cérebro e o contato
dessas mulheres com gatos.
“No entanto, isso não descarta a
possibilidade de que uma infecção por T. gondii de outra fonte seja
associada à incidência de câncer cerebral”, escreveu Benson.
Se
essa outra fonte, que pode até ser outro parasita, for identificada,
Thomas afirma que poderia “proporcionar um meio de reduzir o risco de
câncer no cérebro, sobretudo em países como a França, onde a incidência
de câncer cerebral e T. gondii é elevada”.
Fonte: Animal Planet. Discovery Brasil.